… ou Delícia – parte 2. (Leia a
parte 1)
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Binho tinha ido pra mais uma noitada com os amigos.
Como sempre, bebia até cair e na manhã seguinte acordava com uma puta ressaca. Às vezes faltava na faculdade, já que só tinha uma aula na sexta de manhã.
Isso tinha virado um hábito e Letícia estava cansada, tanto de ser namorada de um cara assim quanto ser tratada como um dos “bróders” do Binho.
Apesar de eles sempre terem sido muito amigos antes de começar a namorar, agora ela sentia falta do tratamento VIP que o Binho sempre disse que ela merecia.
Binho tinha acabado de perder a consciência no bar da faculdade, em plenas 6 horas da tarde, e deixou Letícia irritadíssima, já que tinham combinado de ir ao cinema.
Terminaram.
Letícia não era “aquele tipo de mulher”.
Achava-se melhor como amiga de Binho do que namorada.
Depois de 2 semanas, no fim da última aula do período, passou no Diretório Acadêmico para pegar o iPad, que estava em seu armário.
Então ela, senhorita certinha, estava sentada no sofá velho do Diretório vendo seus e-mails e recados no Facebook antes de ir pra casa, sem a menor pressa de ficar lá sozinha.
De repente, viu o vulto de alguém que há muito tempo tinha ido embora. Sentiu aquele cheiro inconfundível de “Play Intense”, que só ele usava e a deixava tão nas nuvens. Havia passado 1 semestre desde que ele fora para a Nova Zelândia fazer um intercâmbio acadêmico.
– Quem é vivo sempre aparece, hein?!. – E um sorriso angelical.
– Gabriel!
Ele foi até ela e deram um abraço breve e meio desajeitado.
– Você tá… linda.
– E você tá barbudo!
Ela trocara o All Star por botas de salto alto, as calças jeans largas por skinny, o cabelo estava maior e mais escuro. Era linda como uma pintura.
– Faz tempo que você voltou, Gábi?
– Menos de um mês… Os caras me ligaram pra gente tirar o atraso com um pôquer, não esperava te ver aqui.
– Eu posso ir embora, se você quiser. – Fez menção de ir embora.
– Claro que não! – Puxou-a pelo pulso e os dois sentiram um choque com aquele toque. Soltaram-se.
– Vem com a gente, Lelê! Você ainda sabe jogar?
– Hummmmm…
– Claro que sabe, eu que te ensinei.
– Você lembra, é?
– Não dá pra esquecer.
Ela riu, guardou o iPad e a bolsa no armário e foi com ele. Levou apenas o celular.
No rádio, como sempre, Kiss FM tocando no talo.
Ela não quis jogar, apenas o via ganhar de todo mundo. Uma hora parou de olhar pra eles e encarou o horizonte como se estivesse a muitas milhas dali.
– Volta pra terra, lindinha.
Quando ela se deu conta de que estavam sozinhos e que ele olhava pra ela com aquele ar de coiote, entendeu que ele não tinha mudado muito.
Ótimo! É exatamente o que você quer.
Era como se Lúcio (aquele!), o anjo rebelde, dissesse para que seguisse em frente.
Viu a aliança na mão esquerda dele, deu um sorriso com o canto da boca que não combinava com a Letícia das antigas – sempre ética e com as palavras certas pra dizer -, e aproximou-se dele o suficiente pra sentir sua respiração. Olhou pra baixo e pegou o cigarro que ele acabara de acender.
Tragou como se sua coragem dependesse daquilo.
Soprou lentamente, como se renascesse naquela fumaça.
Sentia falta dos olhos de Gábi olhando pra ela cheios de um brilho malicioso, que narra uma história X-rated em cada pedaço de pele que descobre. O clima rapidamente perdeu a leveza de um reencontro de amigos.
Vai, menina. Mata a vontade.
Insistia a voz do anjo rebelde.
Pôs o cigarro de volta na mão dele, pegou o baralho que estava na mesa e misturou as cartas.

– Diz uma coisa, Gábi.
– Ahn? – Qualquer coisa!
– Aqueles convites todos que você me fazia…
– Sim? – Strip poker, ele pensou. Era óbvio.
– Vou fazer um parecido.
– Estou ouvindo.
Ela abriu as cartas na mesa como se fosse um tarô.
– Não tô a fim de joguinhos complicados, perdi a paciência pra todos eles. Então vamos manter a coisa simples. Você vai escolher uma carta… Só uma.
– Certo.
– Se for vermelha, eu ganho um beijo. Preta e você ganha.
– Mas…
– Não quer?
Pôs a mão na última carta e ia começar a fechar o baralho, mas ele pôs a mão sobre a dela.
– Ok. Mas antes eu…
– Não quero ouvir.
– Lê, eu…
– Gábi, – Ela falou perto do seu ouvido. — Eu sei que você namora. Isso aqui não é sobre se apaixonar ou algo do gênero. Você não quer que ninguém saiba e eu também não. Pensa bem no que vai dizer ou eu simplesmente vou embora.
– Bom…- ele pensou por 2 segundos antes de continuar.- O jogo está okay, mas eu tenho uma aposta melhor.
– Estou ouvindo.
– Vermelha, minha casa. Preta, a sua.
– Você pode tentar a sorte numa segunda jogada. Pega logo a primeira carta, Gábi.
Ele pegou uma carta e sorriu pra ela.

– Por quê a gente nunca fez isso antes, hein?
De repente, um segurança com cara de mau chegou na área escondida em que estavam Gabriel e Letícia.
Ele disse:
– Oi, Lelê!
– Oi, Má! O que houve?
– Os vizinhos reclamaram do cheiro de maconha, vim checar. Você sabe de alguma coisa?
– A gente não tá fumando isso… Deve ser o povo da engenharia ali na rua, do outro lado do prédio. Eles sempre vão pra lá.
– Vou lá dar uma olhada. Quem tá ganhando?
– Como?
– O jogo de vocês – fez menção à dama de Copas na mesa.
– Ah! Hahaha. Parece que eu acabei de ganhar, Marcelo.
– Muito bom… Juízo, hein, meninos!
Quando o grandalhão foi embora, o celular dela começou a tocar.
Ele tirou o telefone da mão dela delicadamente e pôs sobre as cartas do baralho.
– Ele pode esperar. Eu não posso mais.
O celular ficou tocando por um bom tempo enquanto os dois tiravam o atraso encostados na parede… E na escada… E depois deitados no sofá, um por cima do outro, de 5 em 5 minutos…
Fazendo o mínimo de barulho possível, pra ninguém ouvir.
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Gabriel: Vai embora, Letícia.
Lúcio: Lelê, o pecado é dele, não seu.
Gabriel: Quem é prudente se esconde do mal que vê. Só os ingênuos o encaram de frente, mas sempre sofrem por isso, menina. Vai embora.
Lúcio: Você e esses provérbios clichês. Tsc, tsc…
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Dessa vez foi o celular dele que começou a tocar.
Pelo toque, sabia que era Cinthia, sua namorada. Gábi respirou fundo e atendeu.
– Já volto, Lelê.
Ela riu da situação. Um cara tão irresistível e insaciável preso em um namoro com uma menina tão doce que quase não merecia levar tanto chifre?
Definitivamente um desperdício…
Um vento bateu e Gabriel — o anjo estraga-festas — soprou uma carta no colo dela.
Quando Gábi voltou para Letícia, 10 minutos depois, viu apenas a carta sobre a mesa.
Ele correu na direção da rua, talvez a tempo de encontrá-la, mas só conseguiu ver o carro dela virando a esquina.
Olhou para a carta novamente e riu da situação com um gosto de quero-mais.
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Lúcio comemorou mais uma vitória sobre o irmão banana enquanto Letícia escrevia seu telefone no verso do coringa…
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Desculpe, Leitor, mas essa história está beeeem longe de acabar.
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Mais com Letícia e Gábi:
e
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Continua…