Por Ailin Aleixo
Ele existe, sim. E, graças a Deus, está muito longe da perfeição.
O homem ideal me faz rir mas nunca usa o riso contra mim. Tem a rara habilidade de saber ouvir e só diz o que é necessário, bom ou a dura e intransponível realidade.
Compreende a diferença entre estar presente e fazer companhia.
Não é prolixo, nem tenta impressionar. Não precisa entender de vinho, charutos ou golfe; precisa ser autêntico e admitir que não entende de vinho, charutos nem de golfe (e eventualmente confessar que gosta mesmo é de pinga). Ele não exige a todo instante meu lado risonho porque sabe, como sabe de tantas outras coisas não ditas em sentenças ou discursos, que os dias negros fazem parte de mim.
Nota as sutis alterações de humor pelo tom da minha voz e, antes de prejulgar as razões, se predispõe a fazer cafuné ou, sensato, cala-se ao meu lado olhando para a TV. E não exige explicações porque possui uma calma sabedoria que me impele em sua direção: dividir minhas angústias e anseios com este homem é tão acolhedor quanto deitar na grama sob o sol de outono.
O homem ideal me dá bronca quando abuso da minha independência ou como chocolate demais e depois reclamo do peso. Ele compra sorvete light e evita discussões posteriores. Compreende que preciso da sensação indescritivelmente libertadora de sumir por algumas horas e, mesmo não concordando com ela, não me interroga como um oficial do DOI-Codi quando piso em casa, levemente para não o acordar, às 2 da manhã.
O homem ideal canta. Não precisa ser afinado, mas sussurra (seja ao telefone ou ao vivo) canções que, num dia qualquer, mencionei gostar. Pode saber dançar. E, se não souber, que mantenha a dignidade e fique sentadinho me observando. Também bebe. Meio pinguço, é daqueles que ficam charmosos de matar com um copo de uísque nas mãos. É deliciosamente sacana três doses acima do normal. Enterra os bons modos e fecha abruptamente a porta do quarto, sem tempo para que eu responda à pergunta nem sequer formulada.
Adormece aconchegado a mim, mas não suporta ficar agarrado durante toda a noite.
E também curte cozinhar. Diverte-se tanto numa loja de condimentos como diante de uma prateleira de CDs. Não me expulsa da cozinha mesmo que eu esteja atrapalhando. Não me dá fusilli na boca mas o serve no meu prato, com pouco queijo e muito molho.
O homem ideal está sempre disposto a me ouvir, mesmo que seja nos minutos desagendados à força durante o dia cheio, e não usa trabalho nem cansaço como desculpa para suas eventuais faltas; as assume e, até, se desculpa. Não se esquiva de discutir os problemas que não se solucionam com notas de 100. Não considera fraqueza dizer que me ama. Pede ajuda quando sente que o peso colocado sobre seus ombros extrapolou sua força. E chora. Não faz promessas porque sabe que nem sempre é possível cumpri-las. Vive regido por sua consciência e, impulsivo, assassina a etiqueta e comete atos passionais. Então faz besteiras, erra, engana-se. E nem por isso deixa de ser maravilhoso – apenas segue sendo magnífica e tropegamente humano.
O homem ideal é imperfeito, numa imperfeição que combina exatamente com a minha.
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Ailin Aleixo
“O homem ideal é imperfeito, numa imperfeição que combina exatamente com a minha.” Pensei que só eu pensasse assim!!!
Felizmente há mulhures como Aleixo que encaram a figura do homem como ser real, desprovido de toda aura de força, sinônimo de perspicácia, de poder e essas coisas para as quais somos tão cobrados. Nossa “perfeição” é sim tão imperfeita como a das mulheres, estas o símbolo do que há de mais especial e belo no mundo…
Bjos,
Pê Sousa
Concordo, mas certas mulheres não concordam.
Muito bom
amei porém acho que o homem ideal é aquele que ama e fiel
Da ideia que so o homem tem que compreender a mulher .
Acredito que que existe uma arte que e .. a convivencia, desde que, logicamente, haja o respeito reciproco ,
Acho legal saber da opinião dela e acho mais legal ainda saber que mesmo sabendo que os homens não são e nunca serão perfeitos, se contentar com tal constatação. Bom…mas ainda assim muitas das mulheres talvez por frustrações vividas com cafajestes desfarçados de cavalheiros, tenham perdido a crença nos poucos HOMENS COM “H” que ainda restam. Talvez se elas parassem de preocuparem-se com a beleza de seus candidatos e dessem mais importância a ideologia destes, encontrassem finalmente seu príncipe encantado. Para que não pensem que sou algum “CDF” desses que vemos em filmes, que são magrelos, usam óculos , tem aparelhos e etc. Sou exatamente aquele cara que muitas mulheres promiscuas se atrairíam facilmente : Moreno , Atlético , olhos castanhos , charmoso, tem carro, e dinheiro… acho que nem precisava tanto assim…e mesmo assim me sinto incompleto .Por incrível que pareça eu “ODEIO” esse tipo de mulheres,– hum ? Você odeia as “Safadas” ? Como assim ? Com todos esses atributos ? Ahh… essi cara so pode ser “Viadinho”– Sei que muitos caras gostariam de ser assim como eu, para poder fazer um pouco mais de sucesso com as “BELDADES” da sociedade. Mesmo assim… não me sinto contente ,e, muito menos feliz… o que eu sempre quis . Gostaria de ser inocente novamente como fui um dia, na primeira vez em que beijei a primeira garota e que essa também tivesse a mesma sinceridade comigo, no que diz respeito aos sentimentos de alguém realmente apaixonado… Tenho certeza que alguns leram isto e viramo o quão parecida nossa história é. E para aqueles que estavam perdendo as esperanças em encontrar alguém que se sinta contente simplesmente por você existir, tomem meu relato como guia, e sejam perceverantes. Custe o que custar não se corrompam…seu Príncipe ou Princesa… ainda estão à caminho.
Tomara que um dia você encontre uma mulher “de verdade”, Eliel.
Beijo,
Mô
Ok, e vc oferece o q em troca?
depende. o que vc quer?